Curriculum

Adriano Motta

Tulsa, Estados Unidos, 1975
Lives and works in Rio de Janeiro.

Selected Solo Exhibitions

 

2017

Space Jihad, curated by Guilherme Gutman, Cavalo,  Rio de Janeiro, Brazil

 

2015

Atelier O Divino, Galeria Ludha Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, Brazil

 

2011

Adriano Motta: Trabalhos Recentes, Galeria Mercedes Viegas, Rio de Janeiro, Brazil

 

Selected Group Exhibitions

 

2017

Projeto Cavalo: Quadrivium 8 Patas, (Adriano Motta, Cadu, Eduardo Berliner, Paulo Vivacqua), Jacarandá, Rio de Janeiro, Brazil

Gazua #946, Despina, Rio de Janeiro, Brazil

 

2016

The Unique Institutional Critique Pop-Up Boutique, Cavalo, Rio de Janeiro, Brazil

Experiência n.8 – Comensais #1, A MESA, Rio de Janeiro, Brazil

Exposição Inaugural, Cavalo, Rio de Janeiro, Brazil

 

2015

XXX Fluori Festival IV Edizione, Pesaro, Italy

 

2012
Coletiva 11, Galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, Brazil

 

2011

SP Arte 2011 – Stand Mercedes Viegas Arte Contemporânea
Coletiva 10 , Galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, Brazil

 

2009

The Portrait Show, Durex Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, Brazil

 

2008

Inventário, Durex Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, Brazil

 

2002

The Artist Book, The SVA Gallery 209 East 23 Street, New York, USA

 

Performance

2017

‘Space Jihad’, audiovisual performance with Guilherme Gutman, André Sheik and Cadu, Cavalo, Rio de Janeiro, Brazil

 

2012

“Extreme Noise Tenor” performance audio visual. Parte do festival Laboratório Sônico na Comuna, dia 01 de Março de 2012.
“O Divino Ensemble” improvisação em grupo. Parte do festival Laboratório Sônico na Comuna, dia 01 de Março de 2012.

 

2011

Projeto Cavalo, Orquestra Equestre de Libertação. Performance de intervenção urbana na Praça Xavier de Brito, Tijuca , dia 27 de Novembro de 2011.
Projeto Cavalo, Orquestra Equestre de Libertação. Parte do festival Multiplicidade no Teatro Oi Futuro, dia 24 de Novembro de 2011.

 

Publications

 

‘BELLADONNA’ Volume 04, Cavalo, 2016, 32 pages
‘BELLADONNA’ Volume 06, Cavalo, 2016, 32 pages
‘Mickey Speed’, A Bolha Editora, 2013, 24 pages, 1000 prints
‘Teratoma’ or ‘A Morte da Caveira de Metal’ book-poster, 2015, 1000 prints

 

Education

 

2001 – 2002
Courses at School of Visual Arts (February 2001 – August 2002), New York, USA

– 2000
Bachelor in Design at Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Brazil

 

Atualizado em 25 Abril 2019

Textos

Adriano Motta

Space Trema

“Um cão na escadaria do convento de freiras me espreitava sentado em posição ereta. Olhou-me sério e levantou uma das patas dianteiras quando cheguei perto. Casualmente seguia, uns metros à minha frente, o mesmo caminho, um outro homem, que rapidamente alcancei e perguntei logo se o cão se tinha apresentado a ele. Um ‘não’ admirado do outro deu-me a certeza de que aqui eu tinha a ver com uma clara revelação”.
Kurt Schneider

 

 

“À primeira vista”, se diria em um determinado jogo de linguagem, que é aquele no qual a expressão
denota o desconcerto e o arrebatamento: “amor (ou horror) à primeira vista.
A primeira vez que vi um trabalho de Adriano Motta, fui desestabilizado pela sensação de ter sido antes
visto pela tela e só depois, de tê-la visto. Na verdade, me pareceu que o cachorro retratado me olhava
sério, ainda que sem levantar a pata.
Até aí, não saberia dar nome ao que eu mesmo experimentava, o que aproximava a minha experiência de
uma outra, nomeada “trema”, essa estranheza radical que, com frequência, antecede a abertura de um
delírio.
Ser olhado, vigiado, medido e avaliado, objeto de bons ou de maus planos por parte do cachorro, tornouse,
então, uma experiência estranha e única.
Eu era alguém que experimentava, então, algo “fora dos sulcos”, etimologicamente, ao menos, eu delirava.

 

 

Embora plenamente vinculado ao seu tempo, há algo renascentista no modo como Adriano Motta
constrói o seu trabalho. Da vastidão de sua curiosidade e da amplitude de seus interesses, resulta uma
obra sortida – pinturas, desenhos, objetos, pôsteres, livros, zines, vídeos e experimentações sonoras – que
obtém organicidade pela marca de seu estilo.
No centro de seus trabalhos gravitam, também, os seus globos celestes que, fantásticos, escandem
passado, presente e futuro, alterando a nossa percepção do mundo e da vida de agora, atributo da boa
arte.
O globo pequeno – ainda que remeta à extensão de um planeta – é algo abordável, tal como um mapa ou
como peça de um gabinete de curiosidades oitocentista: coisas recolhidas em latitudes e longitudes
diversas e de um tempo passado.
O primeiro globo é um pequeno objeto que poderíamos conter em nossas mãos, mas ele é acima de tudo
fantasmático, sem ignorar as marcas do passado, toda a sua verdade, retorna assintótica do futuro para
derramar a sua nova rede de sentidos no presente, inventando mitos.

 

 

A primeira vez que vi um trabalho de Adriano Motta, fui desestabilizado pela sensação de ter sido antes
visto pela tela e só depois, de tê-la visto. Na verdade, me pareceu que o cachorro retratado me olhava
sério, ainda que sem levantar a pata.
como peça de um gabinete de curiosidades oitocentista: coisas recolhidas em latitudes e longitudes
diversas e de um tempo passado.
O primeiro globo é um pequeno objeto que poderíamos conter em nossas mãos, mas ele é acima de tudo
fantasmático, sem ignorar as marcas do passado, toda a sua verdade, retorna assintótica do futuro para
derramar a sua nova rede de sentidos no presente, inventando mitos.

O grande globo, por sua vez, e muito ao contrário do pequeno, não é um objeto que possamos olhar com
mansidão ou manusear com altivez; somos observados e, em algum grau, submetidos por ele. Essa
submissão, nos torna seres diminutos, liliputianos percorrendo a sua superfície fantástica.
Somos enredados por suas corporações: seus exércitos, suas tribos, seus cardumes de clitóris, suas
revoadas de aviões e pelas matilhas de um novo bestiário, do qual também fazemos parte. Trata-se então
de – caça ou caçador – palmilhar o seu solo, combater como se combate na vida, viajar como viajamos em
sonhos, esperar a noite e o dia, despucelar o que há, comer e ser comido pelo “poeta forte”, duvidar e
ajoelhar-se diante da “divindade cão”.
Encontramos também aí, o fio do humor sofisticado com que Adriano cobre a superfície lunar: oficiais do
esquadrão anti-bombas com suas sacolas de compras, prisioneiros de Guantánamo patrocinados pela
Adidas, náufragos sui generis, corais vaginiformes, pornografia fantástica, santos de duas cabeças e uma
tropa de choque espancando um ganso.
Esta é a maior força do grande globo celeste; e também a sua maior singeleza.
Como não ser seduzido por ele, ou, contraface do encanto, esmagado por ele? Tal pode ser a experiência
de muitos visitantes ao circunda-lo no estreito corredor em que está colocado durante a exposição.

 

 

Adriano, naturalmente, não está só.
O olhar de Goya é aquele que o atinge mais diretamente. Simultaneamente, e sem paradoxo, este olhar lhe
pesa, mas também o compele a trabalhar.
Suas luzes e sombras estão presentes nesta exposição, sugeridas pela superposição de pinturas e
desenhos de tamanhos variados, sobre duas grandes telas. Nestas composições, alguns dos trabalhos são
apenas parcialmente visíveis, o que significa manter parte das imagens para sempre ocultadas.
Há também a viagem aos “paraísos artificiais” de Baudelaire, de Benjamin ou de Burroughs, que a nova
fauna apresentada por Adriano – pulsante em seus cogumelos e em seus corais e meio a plantas terrestres
– não nos deixa esquecer.
Das viagens que conhecemos, há sempre lugar para as ilusões, ou mesmo para alucinações sonoras. É
possível que alguém se pergunte: “Será que de fato escutei o que acaba de ser dito? O som daquela voz
(que não consigo distinguir daqui, de onde estou, se é a voz de meu filho ou de meu pai) é “real” ou está
“dentro”, misturada a pensamentos confusos?
Lacan relata que ao ser acordado de um sono vespertino por batidas em sua porta, entendeu que aquilo
que realmente o despertou não foi propriamente a audição das batidas reais, isto é, aquelas que
“produzidas no mundo”, retornariam a ele. Mas sim por algo mais complexo: a sua própria elaboração
onírica das “batidas reais” que, amalgamadas ao trabalho dos sonhos – fundamentalmente,
deslocamentos e substituições -, finalmente o pôs acordado.
Há algo de sabor contraintuitivo nessa asserção lacaniana, mas é precisamente esse distanciamento da
compreensão mais corrente da experiência que estamos aqui a cercar. A razão para esse tour de force é a
crença de que o trabalho de Adriano Motta, posto que caminha por canalículos incomuns, pede ao
visitante que procure o absorver como no exemplo das batidas na porta. A combinação de estímulos
visuais e sonoros não exige que distingamos o que “vem de fora”, daquilo que “vem de dentro”; só assim
pode-se estar, tanto quanto possível, knocked em pleno espaço expositivo.

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