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Adriano Motta

Space Jihad

curadoria Guilherme Gutman

01 Fevereiro — 11 Março 2017

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Vista da exposição 'Space Jihad', 2017
Vista da exposição 'Space Jihad', 2017
Um estudo de antropologia aplicada a um projeto de educação popular para trabalhadores de minas de nióbio em Miranda (lua de Urano). Tese (Doutorado), 2017
Vista da exposição 'Space Jihad', 2017
Da multiculturalidade à educação interplanetária: a antropologia da educação na formação de telepatas, 2017
Aparelhos ideológicos de Estado, volume 2, 2017
Aparelhos ideológicos de Estado, volume 3, 2017
Ganymede, sétima lua de Júpiter, 2017
Ganymede, sétima lua de Júpiter, 2017
Ganymede, sétima lua de Júpiter, 2017
Ganymede, sétima lua de Júpiter, 2017
Diálogos, monólogos e rituais: a evolução civilizatória do povo Polaróide. Texto transmitido telepaticamente na reunião da ENPEQ, 2017
Vista da exposição 'Space Jihad', 2017
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Elara, décima terceira lua de Júpiter, 2017

Adriano Motta

Elara, décima terceira lua de Júpiter, 2017

pintura sobre globo
52 × 35 × 31 cm

Um estudo de antropologia aplicada a um projeto de educação popular para trabalhadores de minas de nióbio em Miranda (lua de Urano). Tese (Doutorado), 2017

Adriano Motta

Um estudo de antropologia aplicada a um projeto de educação popular para trabalhadores de minas de nióbio em Miranda (lua de Urano). Tese (Doutorado), 2017

óleo sobre telas, ímãs e chapa de metal
190 × 235 cm

Aparelhos ideológicos de Estado, volume 1, 2017

Adriano Motta

Aparelhos ideológicos de Estado, volume 1, 2017

técnica mista
50 × 40 cm

Aparelhos ideológicos de Estado, volume 3, 2017

Adriano Motta

Aparelhos ideológicos de Estado, volume 3, 2017

técnica mista
50 × 40 cm

Aparelhos ideológicos de Estado, volume 2, 2017

Adriano Motta

Aparelhos ideológicos de Estado, volume 2, 2017

técnica mista
50 × 40 cm

Ganymede, sétima lua de Júpiter, 2017

Adriano Motta

Ganymede, sétima lua de Júpiter, 2017

pintura sobre globo
155 × 115 × 100 cm

Da multiculturalidade à educação interplanetária: a antropologia da educação na formação de telepatas, 2017

Adriano Motta

Da multiculturalidade à educação interplanetária: a antropologia da educação na formação de telepatas, 2017

óleo sobre telas, ímãs e chapa de metal
235 × 190 cm

Diálogos, monólogos e rituais: a evolução civilizatória do povo Polaróide. Texto transmitido telepaticamente na reunião da ENPEQ, 2017

Adriano Motta

Diálogos, monólogos e rituais: a evolução civilizatória do povo Polaróide. Texto transmitido telepaticamente na reunião da ENPEQ, 2017

técnica mista
115 × 85 × 7 cm

Construindo um corpo teórico multidisciplinar e coerente a respeito da geopolítica venusiana algumas questões filosóficas, 2017

Adriano Motta

Construindo um corpo teórico multidisciplinar e coerente a respeito da geopolítica venusiana algumas questões filosóficas, 2017

técnica mista
115 × 85 × 7 cm

Práticas catalogadas de tortura atribuídas a milícias paramilitares do território marciano a visão dos antropólogos, 2017

Adriano Motta

Práticas catalogadas de tortura atribuídas a milícias paramilitares do território marciano a visão dos antropólogos, 2017

técnica mista
115 × 85 × 7 cm

Ergaster, 2017

Adriano Motta

Ergaster, 2017

óleo sobre telas, ímã e chapa de metal
38 × 38 × 15 cm

Space Trema

Guilherme Gutman

 

“Um cão na escadaria do convento de freiras me espreitava sentado em posição ereta. Olhou-me sério e levantou uma das patas dianteiras quando cheguei perto. Casualmente seguia, uns metros à minha frente, o mesmo caminho, um outro homem, que rapidamente alcancei e perguntei logo se o cão se tinhaapresentado a ele. Um ‘não’ admirado do outro deu-me a certeza de que aqui eu tinha a ver com uma clara revelação”.
Kurt Schneider

 

***

“À primeira vista”, se diria em um determinado jogo de linguagem, que é aquele no qual a expressão denota o desconcerto e o arrebatamento: “amor (ou horror) à primeira vista.
A primeira vez que vi um trabalho de Adriano Motta, fui desestabilizado pela sensação de ter sido antes visto pela tela e só depois, de tê-la visto. Na verdade, me pareceu que o cachorro retratado me olhava sério, ainda que sem levantar a pata.
Até aí, não saberia dar nome ao que eu mesmo experimentava, o que aproximava a minha experiência de uma outra, nomeada “trema”, essa estranheza radical que, com frequência, antecede a abertura de um delírio.
Ser olhado, vigiado, medido e avaliado, objeto de bons ou de maus planos por parte do cachorro, tornouse, então, uma experiência estranha e única.
Eu era alguém que experimentava, então, algo “fora dos sulcos”, etimologicamente, ao menos, eu delirava.

 

***

 

Embora plenamente vinculado ao seu tempo, há algo renascentista no modo como Adriano Motta constrói o seu trabalho. Da vastidão de sua curiosidade e da amplitude de seus interesses, resulta uma obra sortida – pinturas, desenhos, objetos, pôsteres, livros, zines, vídeos e experimentações sonoras – que obtém organicidade pela marca de seu estilo.

No centro de seus trabalhos gravitam, também, os seus globos celestes que, fantásticos, escandem
passado, presente e futuro, alterando a nossa percepção do mundo e da vida de agora, atributo da boa
arte.

O globo pequeno – ainda que remeta à extensão de um planeta – é algo abordável, tal como um mapa ou
como peça de um gabinete de curiosidades oitocentista: coisas recolhidas em latitudes e longitudes
diversas e de um tempo passado.

O primeiro globo é um pequeno objeto que poderíamos conter em nossas mãos, mas ele é acima de tudo
fantasmático, sem ignorar as marcas do passado, toda a sua verdade, retorna assintótica do futuro para
derramar a sua nova rede de sentidos no presente, inventando mitos.

O grande globo, por sua vez, e muito ao contrário do pequeno, não é um objeto que possamos olhar com
mansidão ou manusear com altivez; somos observados e, em algum grau, submetidos por ele. Essa
submissão, nos torna seres diminutos, liliputianos percorrendo a sua superfície fantástica.
Somos enredados por suas corporações: seus exércitos, suas tribos, seus cardumes de clitóris, suas
revoadas de aviões e pelas matilhas de um novo bestiário, do qual também fazemos parte. Trata-se então
de – caça ou caçador – palmilhar o seu solo, combater como se combate na vida, viajar como viajamos em
sonhos, esperar a noite e o dia, despucelar o que há, comer e ser comido pelo “poeta forte”, duvidar e
ajoelhar-se diante da “divindade cão”.
Encontramos também aí, o fio do humor sofisticado com que Adriano cobre a superfície lunar: oficiais do
esquadrão anti-bombas com suas sacolas de compras, prisioneiros de Guantánamo patrocinados pela
Adidas, náufragos sui generis, corais vaginiformes, pornografia fantástica, santos de duas cabeças e uma
tropa de choque espancando um ganso.
Esta é a maior força do grande globo celeste; e também a sua maior singeleza.
Como não ser seduzido por ele, ou, contraface do encanto, esmagado por ele? Tal pode ser a experiência
de muitos visitantes ao circunda-lo no estreito corredor em que está colocado durante a exposição.

***

 

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